terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Seu Jucemir e o acordeon


Ele está numa rua com nome de santo, São Paulo, só podia ser...
Pois nos encanta como um santo, trazendo paz com sua música, aliviando nosso pranto

Homem humilde, já de idade, que não enxerga... quero dizer, não enxerga com os olhos, ele enxerga com a alma, nós que somos cegos perto de alguém assim

Sempre com um sorriso no rosto, tocando para os transeuntes sem cobrar nada... Tantos passam e são abençoados pela sua bela música, mas poucos lhe fazem doações

Ele os perdoa, não está ali por isso, dinheiro não pode comprar uma alma assim... Alegre por natureza, seu acordeon é vivo, transmite vida aos aflitos corações

Seu Jucemir ali sentadinho, na dele... as pessoas passam sorrindo, cantando, preocupadas, chorando, alheias, amando...
Muitos nem o percebem, mas não deixam de beber do seu animado som

Som simples e contagiante, fazendo que nossa cidade, Belo Horizonte, tenha um horizonte ainda mais belo... Naquele pedacinho entre Tupis e Tamoios, os espíritos dos índios o cerca

Seu Jucemir e o seu acordeon, não sei por quanto tempo ainda teremos o prazer de sua companhia, queríamos que fosse para sempre, por isso deixo esse poema no ar...

Sua música é uma dádiva, um dom, tenho pena dos cegos de alma e cegos pela pressa, que não percebem o mundo, que não pararam para ouvi-lo tocar.