segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Candidatos à Prefeitura de BH na UFMG

      Breve resenha sobre o debate dos candidatos à Prefeitura de BH realizado na Faculdade de Direito e Ciências do Estado da UFMG no dia 19/09/2016.

      Primeiramente: FORA TEMER golpista.

      O debate organizado pelo Campo de Públicas contou com a participação dos candidatos: Sargento Rodrigues (PDT), Délio Malheiros (PSB), Maria da Consolação (PSOL), Vanessa Portugal (PSTU), Reginaldo Lopes (PT) e Paulo Lamac (Vice candidato na chapa do Alexandre Kalil, PHS/REDE) – ordem de assento. Auditório completamente lotado.

      Na verdade quero ser bem sucinto, dar um resumo geral e registrar poucas coisas, basicamente o que foge ao script ensaiado por eles antes. Muito bem, vamos direto aos pontos: a plateia foi um show à parte, felizmente se recusando a comportar como os organizadores queriam (alguns desses muitos chatos, escolhendo alguns indivíduos para pegar no pé), regeram o tom do debate. João Leite (PSDB), como esperado, fugiu ao debate mais uma vez, entretanto, não deixou de ser criticado, destaque à oportuna lembrança da Maria da Consolação, ao mencionar que o amigo do Aécio, “menino mimado que não sabe perder”, votou contra os professores, impedindo aumento salarial desses servidores.

      Aproveitando que já a citei, Maria da Consolação foi ovacionada, a propósito, de longe proferiu as melhores respostas e colocações – as pautas de esquerda estiveram sempre presentes nas falas dela e nas falas da candidata Vanessa Portugal, a última só um pouco perdida com o tempo, deixando de aproveitar segundos preciosos, mas fez duras e belas críticas ao sistema capitalista. A questão dos negros, da mulher, dos LGBT, do trabalhador, da distribuição de renda, das ocupações, dos excluídos de forma geral, só se fizeram presentes de maneira relevante por intermédio delas. Os demais candidatos tentaram as evitar a qualquer custo, no bloco em que eles escolhiam os candidatos para direcionarem suas perguntas, elas só foram escolhidas quando os outros não podiam mais responder.

      Délio Malheiros foi devidamente “malhado” (não resisto ao trocadilho, rs) do início ao fim, acho que não teve uma fala dele que não se ouviu ao menos um “Fora Lacerda” (só uma vez consegui ser o primeiro a gritar, rs), picareta, chegou com a desculpa esfarrapada que tinha um compromisso depois e que teria que sair antes do fim – essa é tão batida como o “você vem sempre aqui”, tudo para não ter que passar no meio do povo e olhar as pessoas nos olhos (quem sabe eventualmente levar uma ovada) –, como disse Paulo Lamac, foi o típico “bate e corre”; sínico, entre suas falas mais ridículas disse que é notório que o belorizontino sabe escolher seu prefeito (vaiado, obviamente) e basicamente dizendo que tudo na cidade é perfeito (tirando gargalhadas dos espectadores); o único momento em que os presentes gostaram da postura dele foi quando respondeu uma intervenção “indevida” de uma garota da plateia e quando disse para o Reginaldo Lopes não ser hipócrita e reconhecer que o partido dele também deu a mão para lançar o Lamerda, ops, Lacerda.

      Reginaldo Lopes nada de novo apresentou, todos sabem que o PT não é mais esquerda há muito tempo, que sua alma pertence ao empresariado não é de hoje. Só nos momentos em que denunciou o golpe foi de fato aplaudido. Ficou criticando o fantasma João Leite, as inúmeras privatizações e deu algumas boas tiradas no insustentável Délio Malheiros, que por sua vez, teve algum êxito em ironizar, na sua respectiva réplica, a matemática do seu adversário.

      Sargento Rodrigues, o que falar, confidente de pé de ouvido do Délio e postura militar como uma “sequela” de seu treinamento (só faltou sair marchando após o hino nacional). Falando de segurança aos moldes de criminalização da pobreza, para variar. Contudo, deu boas alfinetadas ao fantasma do Alexandre Kalil, denunciando que o mesmo foi condenado em primeira instância por não passar ao INSS as contribuições dos empregados de sua empesa de engenharia.

      Paulo Lamac foi o comédia do debate, perdido como cego em tiroteio (chegando, inclusive, a fazer interferências fora da sua vez de fala), defendendo o Kalil a qualquer preço. Garantiu boas risadas. Disse várias vezes que, se necessário, desenharia suas propostas, já que o acusavam de não as ter. A parte de maior sucesso dele foi quando disse que era vice, mas não era traíra golpista, que sabia o programa de governo do titular e que o honraria. Entrou numa polêmica com a Maria da Consolação, ao dizer que ela estava “forçando” por provocar uma discussão do machismo a partir do tratamento “maria” para com o time rival; foi duramente vaiado.

      Enfim, foi um debate interessante, já que caíram nas provocações, o que normalmente são orientados a evitar em debates na grande mídia. Podemos ver como a Maria da Consolação é de fato uma “bomba” para eles, certamente estão comemorando muito por a terem boicotado nos debates da TV. Para terminar, repito, a plateia deu o show!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nas Olimpíadas professor chega em último lugar

      Olimpíadas para inglês ver, todo mudo sabe. Olimpíadas programa para rico, todo mundo sabe. Olimpíadas para promover políticos, todo mundo sabe. Infelizmente, como todo mundo também sabe, a educação vale menos que o esporte no Brasil (e coloca MENOS nisso!). Mas vale narrar um breve fato exemplar do último em relação aos jogos que aconteceu comigo para ilustrar como até no micro – como diria Foucault, na “microfísica do poder” – isso é evidente: eu, a pé, em cima da hora para chegar à escola que dou aula, encontro um monte de PMerda nas redondezas do Minas Tênis Clube (o que já é questionável, mas não vou entrar nessa seara agora); vejo eles fechando o trânsito alguns quarteirões acima com suas motos; quando fui tentar atravessar a Av. do Contorno, mesmo sem carros por perto, um deles com toda “cordialidade” de costume veio gritando na minha direção, no intuito de me barrar. Eu perguntei: “aconteceu alguma coisa?”. Ele respondeu, se colocando quase à minha frente: “não, estamos abrindo caminho para o pessoal da Olimpíadas”. Eu replique: “cara, eu tenho que dar aula e estou atrasado”. Ele deu de ombros, expressando um “e eu com isso”, como se eu nada tivesse dito. A rua quase vazia, sem sinal de qualquer carro oficial, ônibus de atleta ou afins, e eles segurando o trânsito (tanto de veículos como de pedestres) – esperei uns dois minutos e falei: “tenho que ir” e fui andando; pelo visto, ele não podia sair do posto dele, então meio que fingiu de bobo e continuou se preocupando mais com os carros (caso contrário, como eles são, era possível eu ter levado um mata-leão da vida de graça). Enfim, esse é o nosso país: segure os professores para os atletas da casa do caralho passarem! E danem-se os alunos, né, pra variar.

      Ps: por coincidência, quando saí passei em uma lanchonete e vejo a seguinte cena, lamentavelmente corriqueira: entra um PMerda, chega perguntando pelo suco de laranja. Um funcionário corre todo apressado, como uma mucama ao comando da sinhazinha, e traz uma jarra de 5 litros e quase um saco de copos descartáveis fechado. Ao pegar o suco, ele pergunta: “quanto é?”. O dono do estabelecimento responde o clássico: “que isso, não é nada!”. (Será que ele daria um copo de água para mim e para você?). Sem comentários.

domingo, 31 de julho de 2016

Sério, “Ditadura do Proletariado”?!

     “Ditadura do Proletariado”, esse é um dos conceitos mais imbecis e estúpidos que foi difundido loucamente nos últimos tempos, quiçá o mais. Por duas razões primordiais: 1- Não condiz em absolutamente nada com a verdade; 2- As pessoas que o usam não fazem a menor ideia do que estão falando. Por essas e outras, podemos afirmar sem receios: a direita nunca foi tão burra como hoje em dia. Cada vez mais, em qualquer tema que seja, quando se diz “debate entre a esquerda e a direita”, podemos traduzir por: “debate entre quem pensa e quem não pensa”.
   Venho escutando essa bobagem vinda da boca de figurões da direita e semianalfabetos coxinhas há um bom tempo, mas o que me motivou a escrever esse breve texto (não precisa gastar muitas palavras para refutar isso) – entenda-se, o que me motivou como a “gota d’água” final que transborda o copo – foi o programa Fla-Flu da TV FOLHA, do dia 07/07/2016, sobre o feminismo, onde as convidadas para o debate eram Sâmia Bomfim (não escrevi errado, o nome dela é esse mesmo, m antes de f, rs), como representante da esquerda, a favor do feminismo, e Sara Winter, como representante da direita, contra o feminismo. Não vou aqui debater ou comentar o conteúdo da entrevista, embora tenha sido o estopim desse texto, não é meu propósito, até porque é apenas mais um debate que se enquadra na definição apresentada acima para esquerda contra direita, a saber, debate entre quem tem um cérebro dentro da cabeça contra quem não tem. [Debate realmente pouco produtivo, salvo para escancarar ainda mais a falta de argumento e o pensamento raso dos ditos “direitistas”, mas quem quiser ver, segue o link: “Fla-Flu:Ex-Fêmen diz que ativistas inventam casos de violência; feminista nega”].

     A Sara Winter, entre muitas outras inúmeras besteiras (como dizer que o PT é esquerda, que mesmo em caso de estupro não deve ser permitido abortar, negar as conquistas históricas dos movimentos feministas, defender Bolsonaro e Alexandre Frota, os partidos que impõem a ideologia cristã, e etc.) e flagrante falta de informação, em um determinado momento soltou o parvo clichê da direita para atacar sua debatedora: “Ditadura do Proletariado”. Vejamos então que prova de estultice é essa expressão. Primeiramente, como todos sabem, o termo proletariado nesse sentido é oriundo do filósofo Karl Marx (1818 – 1883), portanto, o intuito dessa expressão é atingir a filosofia marxista (ou comunista, como preferirem). Mas o tiro sai pela culatra, pois só mostra como os que a usam não conhecem absolutamente nada de Marx (eles não conhecem nada de nada, mas enfim). Muito bem, para isso ficar claro, é importante fazer a pergunta elementar: “quem é o proletariado?”. Aula básica de sociologia: de acordo com a visão marxiana, proletariado é a classe que só tem a força de trabalho para vender; o termo tem origem no conceito de “prole”, filhos, quer dizer, o proletariado é aquele que só tem a força de trabalho própria e de seus filhos. “Ditadura” dispensa definições (espero que saibam ao menos isso, caros coxinhas).

      Se se pode falar de ditatura propriamente dita no mundo, é a ditadura do capital; onde se morre de fome com comida sobrando ao lado, onde se mora na rua, onde a saúde e a educação são mercantilizadas, em suma, onde o ter supera em todos os sentidos o ser. Modelo insustentável e insano que hoje é tido como natural. Mas não vou entrar nessa seara para não me alongar muito, basta ver os fatos, olhar o mundo e não o seu “mundinho”. Poucos ditam sobre muitos, por assim dizer.

     Tomemos apenas o caso do Brasil. Segundo o IBGE de 2010 (o último realizado), pouco mais de 3% da população brasileira ganham acima de 10 salários mínimos (diga-se de passagem, 72% ganham menos de 2 salários mínimos, na época R$ 1020,00 – não é necessário prolongar para dizer que se trata de salário que não dá nem para subsistir de forma plena). Nesse sentido, poderíamos dizer que o “proletariado” é representado por ao menos 97% da população no nosso país! (Ao menos, pois tem os que ganham um pouco mais, porém não são donos dos meios de produção, o que basicamente faz de alguém um membro da burguesia). Você pode estar pensando que o Brasil tem mais empresários do que isso, mas o que está em conta não é isso, mas sim quem são de fato os donos dos meios de produção, que certamente não ganham menos do que 10 salários mínimo por mês – o chamado pequeno empresário, que via de regra ganha menos do que isso, que trabalha o dia todo na sua loja, também oferece é a sua força de trabalho em última instância; quem vende as matérias primas, as ferramentas e/ou os produtos fabricados para a pequena empresa deste é que são os legítimos burgueses. Em uma palavra, por si só, ter um comércio pequeno não o faz ser parte da classe burguesa. Ora, dessa forma, dizer “Ditadura do Proletariado” é insano, percebe? É como dizer que você é ditador de você mesmo! Afinal, estamos falando de ao menos 97% da população! (Sejam assalariados ou pequenos empresários). Reclamar de um (possível) Estado que apoia o proletariado é praticamente o mesmo de reclamar de um Estado que apoia a todos. O correto seria dizer governo (do povo para o povo). Dizer o contrário é de uma ignorância galopante! Quem usa essa expressão lunática está defendendo os privilégios de uma minoria numericamente insignificante em detrimento de todos dos demais. Absurdo é os burgueses ditarem as regras como reis, o que infelizmente acontece hoje. (Vale lembrar que, ainda segundo o IBGE 2010, apenas 0,9 % da população ganham mais de 20 salários mínimo – grupo esse que poderia ser enquadrado na chamada "alta burguesia", que realmente comanda o país).

      Meus caros, sintetizando, esse termo não passa de uma falácia grosseira, sem pé nem cabeça, sem qualquer sentido válido. É impressionante como um lixo assim é propagado, muitas vezes até pelos próprios proletariados alienados que não se veem como tais, que defendem a elite dona dos meios de produção e seu cruel sistema sem se quer fazer parte dela. Francamente, a direita já foi mais inteligente, ou melhor, menos burra. Hoje esses energúmenos delirantes basicamente só repetem meia dúzia de conceitos furados que ouviram por aí, e ainda com ares de erudição. Eles são a sua própria refutação.

terça-feira, 7 de junho de 2016

"Prostituta de luxo", faz algum sentido?!

      Sócrates nos ensinou o valor da ironia, então me permitam começar usando-a: imagine, Glauco, a seguinte situação: “uma menina criada no seio de uma família de ‘bem’ (por mais que eu ache ridícula essa expressão, uso só agora para ilustrar, rs), que nunca faltou nada, que sempre teve férias em lugares diferentes, todos os brinquedos, proteção e amor dos pais, domingo no sítio do vovô e da vovó, que sempre comeu do bom e do melhor, que estudou nas melhores escolas, que fez balé, natação, violino e outras coisitas mais, que falava fluentemente três línguas antes de entrar na melhor universidade aos 17 anos, que em seguida se formou em medicina (ou direito, ou engenharia), sendo ‘doutô’ tão novinha, depois já sai com um bom emprego devido aos contatos do papai, em um belo dia decide mudar de profissão, escolheu agora ser ‘prostituta de luxo’ ” – Glauco pasma: “você enlouqueceu, Sócrates?!”.
       A situação inventada é tão bisonha que não precisa comentar... A questão da “prostituta de luxo”, a meu ver, nem mesmo é um argumento para discutir a prostituição como um todo, pois se se pegar todas as prostitutas, desse “tipo” serão menos de 0,001% delas (jogando baixo!), falando abertamente, quase a totalidade está dando para vinte caras em um dia e mal conseguindo pagar o aluguel do puteiro e se alimentar (e alimentar os filhos – muitas aceitam fazer sexo com qualquer lixo humano que aparece, algumas mesmo sem proteção se pagar mais, para não ver seus filhos passando fome!). Quando uma garota entra no mundo da prostituição sua vida fica marcada, não basta querer mudar (e mesmo essa posição pessoal é complicadíssima, por inúmeras questões, sobretudo de cunho psicológico – mas por um momento desconsideremos os traumas, a falta de escolaridade, de oportunidades, os espancamentos, as ameaças, as drogas, o risco eminente de morte e o fato da maioria delas terem começado uma vida sexual precoce, em muitos casos fruto de estupro), a sociedade não mudará junto... Uma vez inserida naquele meio, tudo que ela quer é um “cliente”, mas isso não significa nada para olharmos a questão de forma geral.
       Profissionalizar a prostituição no Brasil é permitir qualquer neoliberalzinho patético, herdando a fortuna do papai, investir para basicamente escravizar mulheres pautado na lei da oferta e procura; ao menos hoje o cafetão ainda pode ser preso (sim, no mais das vezes apenas em teoria, sabemos que eles estão por aí, disfarçam pagando de “hoteleiros”, cobrando absurdamente mais por um quarto), oficializar essa situação será dizer o contrário, será fazer com que elas ganhem ainda menos; dizer que teriam “salários dignos” é tão piada quanto o Cunha defendendo o mesmo na terceirização, francamente... “É a profissão mais antiga do mundo” – dizem alguns. Assim como a escravidão, né?! Seja como for, eu não consigo ver como fazer sexo por dinheiro não é um tipo de violência (se não pensam assim, peço que mostrem claramente como), evidentemente há violência social, que começa na desigualdade socioeconômica, mas também diversas outras. Fazer sexo mandado com qualquer estranho, da forma e quando esse quiser, poderia ser um tipo de “prazer” (do mais inconcebível para mim), mas se entrar o ganho do dinheiro vem junto a violência sim, a submissão extrema pelo capital, muita grana não muda essa relação, muda apenas os objetivos e quem está usando; certas coisas não devem poder estar à venda.

domingo, 20 de março de 2016

Discussão que tive com indivíduos pró-golpe

Julgue você se os “argumentos” (entre aspas por que, a meu ver, a maioria do que eles dizem nem se quer pode ser chamado assim propriamente) deles não são mais rasos que piscinas de meio centímetro:

A.C.: Uai Moisés ninguém dúvida q tem muita gente defendendo esse governo o Lula e alguns até mesmo a corrupção, e daí quer dizer o que? Também tem milhões contra o q vc classifica com vários nomes pejorativos se achando o dono da verdade, pra vcs O Moro tá errado, a justiça tá errada a OAB tá errada, os milhões de manifestantes estão errados, as delações são mentiras, agora até as falas dos próprios envolvidos tb não quer dizer oq disseram, os milhões confessados e devolvidos são falsos, o sítio não é do Lula, o Triplex tb não , o ap dele tb, ele não está fugindo de ser preso, a Dilma não cometeu nenhuma irregularidade, as pedaladas não existiram, não foram descumprido as leis orçamentarias nem a LRF, o impeachment é golpe, os maiores empresários do país presos e condenados são inocentes e injustiçados, o Collor, o Renan, o Sarney, Jader Barbalho, Gleice Hoffmann, Lindemberg, Mercadante, J Eduardo Cardoso, Pimentel, etc aliados acusados são todos injustiçados, e culpados só o Cunha, Aécio e Delcídio qualquer um q,se preso falar da Dilma ou do Lula, esqueci do Dirceu e cia.

EU, MOISÉS: "Parabéns" A.C., comprou o discurso senso comum da Globo 100%!

A.C.: Então tá é td mentira.

EU, MOISÉS: Para o restante entender, o A.C. transfere o debate que tivemos em outra postagem minha para aqui, o que não faz o menor sentido. Em todo caso, nem lá nem aqui defendi as coisas que ele coloca. Segue, novamente, minha postagem:

A IMPORTÂNCIA DE NÓS, OPOSITORES AO GOVERNO À ESQUERDA, IRMOS ÀS MANIFESTAÇÕES DE SEXTA:
Não em favor do PT, que poderia ter feito muito mais pelos ideais de esquerda e não fez, mas em favor da democracia, contra o fascismo!
Vejo coxinhas vociferando como zumbis mediante grampos que, apesar do tom, não revelam nada de ilegal. Isso é muito perigoso, pois mostra como a razão não está mais nem perto dessa galera. O que por sua vez faz surgir oportunistas de direita de todos os cantos para inflamar esse pessoal, como, sem o menor pudor, o ensaio de juiz fez agora, empolgado após os analfabetos políticos o tomar como herói no domingo.
Vejo agressões gratuitas a quem pensa diferente, ou como vimos em vários casos, apenas por vestir vermelho. Ir às ruas agora, portanto, não é dizer que o PT nos representa, mas defender o direito de voz! É lutar contra uma justiça arbitrária, partidária, que claro, sempre cometeu abusos aos periféricos e pobres, mas essa é a chance de dizermos não a isso a nível internacional.
Pensei sim em não ir, até porque o PT também nos reprime, mas apesar dos pesares, para essa galera verde e amarela insana e para a grande mídia o PT representa a esquerda, por isso devemos nos unir, pois estamos em um momento que pode ter consequências gravíssimas. O pouco que o PT fez pelos pobres incomoda de forma indizível esse pessoal, a “corrupção” é só um pretexto (atacam só a corrupção do PT, como temos visto), afinal, eles já haviam naturalizado crianças morrendo de fome e se consideravam donos das poucas universidades que existiam. Imaginem como se portariam contra um governo realmente de esquerda, voltado para acabar de fato com as abissais desigualdades socioeconômicas desse país! Nossas divergências, que certamente nem mesmo considera o PT um partido de esquerda mais, não podem nos cegar assim.

G.F.: Moisés, assim que possível, poderia por favor me dar um exemplo de país com o governo realmente de esquerda próspero? Ou sou muito ignorante ou não me lembro de nenhum.

EU, MOISÉS: Depende do que vc considera prosperidade, G.F.. Para mim não tem qualquer sentido país "próspero" que não distribui sua renda, onde o trabalhador não vê o fruto do seu trabalho. Quer um exemplo, Cuba, mesmo com dificuldades, veja como os camponeses viviam antes e como vivem hoje. Trata-se de uma pequena ilha, apenas produtora de cana, sofrendo todo tipo de embargo desde a Revolução, mesmo assim, as pessoas lá tem dignidade, não se passa fome com comida sobrando ao lado. E depois, esquerda é um conceito amplo, mas se focarmos na ideologia comunista, ela nunca foi implementada como se deve, até pq o Capitalismo ainda não colapsou. Mas, por um momento, invertamos a questão: tirando os países escandinavos, me aponte um país capitalista próspero (se bem q nem podemos dizer propriamente que o sistema que se tem em tais é capitalismo, é outra coisa, além de boa parte do trabalho "chão de fábrica" que não se vê lá ser terceirizado em outros países, mas longo tema para discutir aqui), nesse sentido válido. Pois ficar nas mãos de uma pequena elite toda a "prosperidade" do país é pior do que um país limitado economicamente, mas que pratica justiça social. Para finalizar, os ganhos e direitos que o trabalhador tem hoje, mesmo em países com governo direitista, é devido à luta de esquerda, do trabalhador. A própria democracia é fruto de tal. A esquerda está ao lado dos explorados, colocando sua voz e exigências estando ou não no poder meu caro.

A.C.: Aí cara vc sabe das coisas concordo com estas tuas palavras muito bom.

G.F.: Se é tão bom assim em Cuba, não entendo o porque de sua população querer fugir de lá. Japão também é uma pequena ilha, que teve a sorte de nunca ter tido um governo populista. A ideologia comunista é exatamente o que vc falou: Uma ideologia.Uma utopia. O homem nasceu para ser livre. Para colher o fruto do seu trabalho, por essas razões e outras , nunca será implementado o comunismo. Já o governo populista é muito bom no marketing. Só. Destrói a economia de todos os países onde foi implantado, e estamos caminhando a passos largos para isso. Vide a Grécia...

EU, MOISÉS: Primeiramente, G.F., essa sua informação de que a população de Cuba quer "fugir de lá" é muito equivocada, não apenas não condiz com a realidade, mas reflete o que a mídia burguesa propaga. Outra, não se trata de “ser tão bom assim”, se trata de fazer justiça social a partir do que se tem. Sem ofensas, vc definitivamente precisa estudar sobre Cuba, se tiver interesse de se debruçar um pouco sobre o tema, posso te passar alguns autores depois. Para ficar nos termos que vc coloca, aqui no Brasil está bom pra quem? Para os moradores de rua que vemos aos montes a cada esquina não é, certo? Mas também certamente não está para os 72% da população que trabalham por menos de dois salários mínimos (de acordo com o IBGE 2010; mais da metade desses por menos de um salário), afinal, esse valor mal dá para sobreviver, o que dirá dignamente, concorda comigo? Ora, então temos que considerar o que é “bom” para começar a conversa, né? E principalmente, pra quem é bom.

Japão: vc está se referindo ao Japão pós Segunda Guerra, vamos tomar cuidado com a palavra nunca, estamos falando de um país com história milenar (veja inclusive mesmo durante a guerra, história recente, descobrirá o contrário). Esse Japão ao qual vc se refere foi reconstruído pelos EUA, o que por si só o desqualifica como exemplo, contudo, a distribuição de renda funciona um pouco diferente lá, enfim, não é nosso tema.

Toda ideia antes de implementar é considerada por muitos, sobretudo os opositores, como uma “utopia”; o Comunismo não difere em nada de qualquer outra. O fim da escravidão era uma “utopia”. Eu não ousaria dizer cabalmente para o que o homem nasce, mas enfim, qual a ligação entre falta de liberdade e comunismo, que vc alude? O Comunismo é exatamente o que garantiria o trabalhador colher os frutos do seu trabalho e a liberdade de fato! Ou vc acha que alguém que rala num canavial, numa carvoaria, ou num Mcdonald’s da vida para comer é livre e colhe os frutos do seu trabalho?! Ora, é o capitalismo que permite aqueles que menos trabalham sejam os que mais lucram! Vejo que não leu nada sobre tal ainda. Nem mesmo o clássico e curto “O Manifesto Comunista”, o que dirá “O Capital” (onde está a maior parte dessa filosofia) e já faz uma crítica tão dura, absurda e precipitada.

Governos populistas também já salvaram nações, veja o caso do Allende no Chile, o Perón na Argentina e mesmo o Fidel em Cuba, pra citar alguns poucos, logo, o que vc conclui não procede. Finalmente, “destruir a economia” não implica em algo necessariamente ruim; mais uma vez, ruim para quem? Como diz Marx e Engels, 9/10 da população já não tem propriedade privada. É preciso olhar de forma mais profunda esses temas. (Pela mesma razão, nem vou começar a falar sobre a situação da Grécia aqui, fica para uma próxima, já me estendi demais e também não é nosso foco).

A.C.: Agora forçou um pouco, porém observei vc perguntar q no Brasil tá bom prá quem? E é isso q vc defende.

EU, MOISÉS: A.C., estou começando a pensar que vc não sabe o que é oposição à esquerda (a propósito, o que não me impede de ver algo positivo mesmo em um governo que discordo). E, sinceramente meu caro, depois dessa estou suspeitando que vc esqueceu o que é defesa da democracia.

A.C.: Porque vc não comenta nem um episódio do que tá acontecendo, nem uma palavra sobre o conteúdo das gravações, nem uma palavra sobre a manobra, nem uma palavra sobre as delações e aí por diante,
Nem uma palavra sobre a OAB, nem uma palavra sobre o sítio ou Triplex, nada sobre os milhões confessados, nada sobre a Petrobrás, sinceramente se vcs estão certos, como explicar tudo isso.... Será mesmo. suponhamos q esse governo e totalmente honesto e q tudo isso seja uma conspiração então vcs estão certos de resistir. Agora faça a suposição contrária, neste caso q o cerco tá fechando, aí qual seria a saída- vejo duas: vão tentar pela força e opressão manter- se no poder usando td q podem, ou estão criando um cenário de perseguição politica para pedirem asilo em algum país - neste caso vcs estão sendo massa de manobra ou inocentes úteis- pense nisso.

EU, MOISÉS: Não sou filiado ao PT, A.C., nem advogado do PT, não estou defendendo o PT agora pelo PT, está explícito na minha postagem que vc comentou aqui, não consigo entender como vc lê, relê e continua afirmando a mesma coisa! Francamente...

Não respondi por que são afirmações tão rasas q não merecem debate, mas já que insiste tanto assim, vejamos então, de uma vez por todas: 1- sobre as gravações já disse o q penso lá, repito, até agora, apesar do tom, não vi algo cabalmente incriminatório, se pensa o contrário, aponte o que de forma clara. 2- Manobra, não sei se vc está se referindo às "pedaladas" ou à nomeação do Lula, segue argumentos para as duas hipóteses: se se refere à primeira, seria um completo absurdo destituir um presidente por tal, não só porque aconteceu (e acontece) com vários outros que não sofreram nada, mas sobretudo por se tratar de algo mais relacionado ao ministério da economia do que a pessoa da Dilma, no caso dela, sendo talvez um erro, uma negligência, que tome como quiser tomar, não justifica impeachment; se se refere à segunda, mesmo que fosse a intenção da Dilma livrar o Lula das mãos de um juiz partidário insano (o que eu particularmente não condenaria assim, até pq ele pode ajudá-la de fato na governabilidade; e veja, ela não está comprando juiz ou coisa do tipo, mas fazendo que ele seja julgado pelo Supremo, isto é, está buscando o que se espera da justiça para começo de conversa: imparcialidade – o que definitivamente não é o caso do Moro!), isso não é provado pelo áudio; a justiça não pode agir contra alguém enquanto houver hipótese real do contrário, isto é, deve haver provas, e não há, a explicação da Dilma é suficiente para justificar o que se ouve na gravação em questão. 3- Delações: delação por delação não é nada, eu posso delatar que vc é um corrupto, o que isso prova? Não estou isentando ninguém do PT (até porque eu não sou petista e não tenho nada a ver com isso), mas é necessário algo mais, obviamente, todos sabem que na justiça apensa palavra contra palavra (ainda mais vindas de um bandido) não prova crime. Se houver alguém comprovadamente criminoso, que pague pelos seus crimes, mas se respeitando o amplo direito de defesa e o contraditório, como deve ser para qualquer pessoa dentro de um regime democrático. 4- OAB: a meu ver precipitada e inconsequente, com argumentos fracos para se pedir impeachment, se quer esperaram a posição da Suprema Corte dia 30. 5- Sítio e tríplex: piada de mau gosto, né? Talvez o ponto mais indigno de resposta. Não está no nome dele, não é dele. 6- “Milhões confessados”, por quem? 7- Corrupção na Petrobrás: aparecendo porque o PT deixou a PF trabalhar (quase 2300 operações até agora durante o governo do PT; em comparação, 48 apenas no do FHC. Contra fatos não há argumentos), a propósito, não existe mais o “engavetador geral da república”. Mais uma vez, corruptos devem pagar. Ninguém nega isso, quem não pode pagar é inocente. Lembrando o óbvio, todos são inocentes até que se prove o contrário, mediante os órgãos competentes do judiciário.

No mais, a parte final do seu comentário não tem sentido, “criando um cenário de perseguição politica para pedirem asilo em algum país”, hãn?! Então está admitindo que o que teremos é de fato um REGIME DITATORIAL no lugar se o PT cair?! Pois não vejo qualquer outra razão para se “pedir asilo em algum país”. É isso, portanto o que vc está defendendo?! Pense nisso!!

G.F.: Moisés, seria a mídia "golpista" que divulga um sem número de barcos com famílias inteiras desesperadas tentando escapar da ditadura dos Castros? E os atletas olímpicos e paraolímpicos?? Sinceramente, a única coisa que me interessa em Cuba são as belas praias e as músicas. Odeio ditaduras. Te falo sim pela liberdade. Um homem para trabalhar e produzir , precisa de motivação. Trabalha muito, colhe muito. Trabalha pouco, colhe pouco. No comunismo quem colhe muito é a casta de governantes que inspiram esses livros que não me arrisco a ler. O resto colhe as migalhas. Logo a economia não funciona. Falta motivação. Sobra corrupção e violência. Sejamos práticos: não conheço um só infeliz que tenha abandonado Cuba para viver em outros países que queira voltar, se separando para sempre de seus entes queridos. O que dizer então dos países do leste europeu? E a antiga URSS?? Ninguém por aquelas bandas sente saudades do comunismo. E o que dizer então das Coréias? Em qual das duas vc gostaria de viver? Na "neo-liberal" do sul ou na comunista do norte??

A.C.: Moisés, agora gostei porque vc começou abordar os temas, e ofendeu pouco os que pesam diferente. Parabéns. Porém impeachment não tem nada a ver com STF, não entendi. Suas observações estão afinadas com o discurso do petista por isso q aponto isso. Por exemplo engavetador.. O PGR até agora praticamente só tá investigando o Cunha q virou réu, quantos aos outros q tem mandato acho q + de 40 nada, é bom dizer q o Moro não tem nada a ver com esses. Agora oq nos precisamos entender é q todos somos brasileiros é a maioria que o bem do Brasil sem golpe e com a democracia, ( existe sim alguns insanos q pede intervenção militar muito pouco). Agora quanto ao final eu disse q vc supor q Lula e consequentemente Dilma sejam culpados por desvios e td mais. Neste caso se vc se colocar no lugar deles qual seria sua saída? É só um exercício de se e então. Como hoje em dia ninguém tem prá onde fugir, então só com pedido de asilo. Entendeu? Mas vou rezar para q isso termine com a verdade. Sugiro a vc q procure se inteirar tb do outro lado vendo os argumentos e provas substanciais do q está acontecendo, o problema não é tá no nome ou não do Lula a acusação é q ele está recebendo dinheiro e benefícios oriundos de propinas desviadas da Petrobrás, esquemas milionários q já está provado é isso, não se pode justificar superficialmente isso. Outra coisa o Moro ele estava com escuta nos fones do Lula com autorização dele mesmo e as falas meu amigo ao contrário q vc disse são comprometedoras junto com as demais provas e distante das versões q os petistas dão é só vc analisar sem paixão. Um abraço

G.F.: Moisés, quanto à sua resposta ao A.C.: 1- as gravações são vergonhosas e gravíssimos indícios de picaretagem da forma mais deslavada possível. Juntamente com outras gravações ainda não divulgadas serão provas sim de corrupção, formação de quadrilha, falsidade ideológica entre outras. 2-aconteceram sim pedaladas (bem menores) em outros governos, mas não existia ainda a lei de responsabilidade fiscal, fora o agravante da pedalada ter se efetivado nas vésperas das eleições, o que constitui crime eleitoral. Quanto ao Moro, ele não é partidário. Vai prender o Lula, e pode ter certeza: virão Cunha, Temer, Renan, Aécio....e quanto à Dilma ter nomeado Lula para o livrar do Moro, isso está mais que provado. Basta ouvir as gravações. Além do mais , o país já está em bancarrota a mais de ano. Porque só agora o "superministro" resolveu ajudar??? 3- As delações só valem com prova. Elas estão anexadas no processo e o réu terá direito de defesa quando do julgamento. E são muitas. 4- OAB... argumentos fracos????? 5-Triplex e sítio. Ou o Lula apresenta recibos de aluguel ou o sítio é dele sim, em nome de laranjas. Pois não há nenhum objeto pessoal dos "donos" , apenas do amigo Lula e de sua esposa e filhos. Isso está mais do que provado. 7 - Corrupção na Petrobrás...tá de sacanagem, né? PF está trabalhando, mas só pega petista...quanto ao engavetador, isso é mais uma falácia. Nunca se engavetou tanto!!! E no último comentário, sim, estão criando um clima de perseguição, um inimigo, para que a militância seja amparada e a saída seja"honrosa". Perseguição sim, a bandidos. O PT virá com a história de "prisioneiro político" para o caso de prisão do Lula , pode apostar. E no caso, não sería um asilo, e sim uma fuga. Os "coirmãos" Maduro, Castro, etc, estarão de braços abertos para ele. Por isso, cana no molusco!!!

Por último, e só para deixar bem claro, não gosto de política. Irresponsavelmente não voto a mais de 15 anos. Mas tive que me envolver por conta dessa quadrilha que se instalou no poder. Peço desculpas se fui rude com as palavras e te ofendi. Grande abraço aos dois.

A.C.: Aí G.F. falou td. Pena q com Moisés não adianta. Agora ainda temos esse alerta do Joaquim Barbosa q se for dele mesmo é muito sério. E o problema deles é q todo mundo q fala deles pode ser o cara mais honesto e conhecedor do mundo, eles desqualificam como se fossem marginais, até o Papa se falar do Lula acabou.

EU, MOISÉS: Sem querer ofender, pouca coisa do que vcs disseram são reais argumentos, a maior parte é algum tipo de apelo, no mais das vezes emocional, sem fundamento. Não quero alongar essa discussão, pois pelo que apresentaram, há pouco propósito real para se perder tanto tempo. Mas segue resposta aos pontos questionados (na réplica de vcs, se houver, peço que apontem fatos concretos, não achômetros, já que estão acusando assim de forma tão veemente).

MINHA RESPOSTA AO G.F.: Pois bem, primeiramente sobre Cuba: vc sabe por que Che Guevara não foi bem sucedido na Bolívia? A principal razão foi a falta de apoio dos camponeses, que embora fossem os mais explorados e consequentemente seriam os mais beneficiados na revolução comunista, foram alienados, pressionados e mesmo ameaçados para não compactuar com o movimento. Digo isso porque, não é automático a pessoa entender o ganho de um regime que busca o real bem de todos, às vezes é necessário abstração, sair do seu mundinho egoísta e se perceber como um ser parte do todo, em uma sociedade, que quanto mais desigualdades houver, mais conflitos haverá. No entanto, esses iludidos e/ou buscando apenas uma chance de se elevarem não importando com o redor, que não percebem a importância do outro para se ter paz, tentam ir para o país mais “próspero” no capitalismo, que fica ao lado, os EUA. Em uma palavra, a alienação pode gerar sonhos torpes. Mas são a minoria. Certa vez vi um documentário sobre cubanos nos EUA e em outros países da América Latina – não feito pela mídia burguesa que foca na exceção para dizer ser o todo; é por isso que vc não conhece –, nele, de forma geral, os cubanos falavam bem de Cuba, a maioria deles via nos Castro não um regime ditatorial, mas verdadeiros heróis resistindo e lutando contra o capitalismo, que de fato distribuíam as riquezas, apesar da limitação econômica da ilha. Mas enfim, não vou me estender até por que vc mesmo afirma que não lhe interessa, mostro isso apenas para ficar claro que vc está comprando uma visão muito limitada mediante toda a complexidade envolvida, e já emitindo uma opinião como se fosse expert em tal. Existe um ditado no nordeste bom sobre isso: “guarde sua boca para comer farinha”. Numa boa, é o que deve ser feito quando não se conhece nada sobre um assunto.

Cara, que visão limitada vc tem sobre trabalho no capitalismo. Primeiro, liberdade só é possível de fato se houver um mínimo de sobrevivência garantido – leia autores como J. Rawls e M. Sandel, abririam a sua mente (espero). Segundo, quem te disse que não há motivação para trabalhar no comunismo? Velho, vc realmente não conhece nada sobre tal! Na verdade a “motivação” do trabalho no capitalismo é a pior possível, pois o que se busca é tão somente o acúmulo de capital, essa é a ideia do capitalismo, sua essência e origem (veja Max Weber); não se chega a lugar algum. Uma proposta oposta ao capitalismo é o trabalho com um ganho real, isto é, sua motivação passa a ser contribuir com a humanidade, proporcionar meios de conforto a todos, desenvolver a ciência, a técnica, a pesquisa, a harmonia no ambiente, a ética, se tornar alguém honrado, justo e etc, não apenas “lucros”, não números virtuais na conta bancária... Então, de acordo com a sua “lógica”, os filhos de um cortador de cana, seguindo a profissão do pai, trabalhando até 16 horas por dia com o Sol derretendo, não estão se esforçando o bastante e o filho do Eike Batista é um exemplo de trabalhador?! Cara, com todo respeito, só nos resta rir.
Quando vc fala dos países comunistas então, fala sério! Uma coisa é como funciona o regime comunista em paz, outra em guerra, principio elementar. Lembrando que os embargos econômicos são armas que podem destruir uma nação. Pelo visto vc não deve saber, mas Cuba só sobreviveu por que a URSS comprava todo o seu açúcar, pois os EUA usaram seu poder político nas Américas para isolar Cuba. Ora, vc acha que as coisas seriam as mesmas sem embargos?... Em qual eu gostaria de viver? kkkkk... Meu caro, o comunismo prega o fim das nações! Pra finalizar, o que salta nos seus comentários é o erro mais comum, qual seja, confundir a filosofia comunista com o que se tentou implementar, em uma palavra: confunde a teoria com a tentativa fracassada dela na prática. Erro básico.

MINHA RESPOSTA FINAL AO A.C.: Ora, como não?! Afinal é o STF que julgará a procedência. Obviamente tenho ciência que o impeachment é uma questão política, no final das contas não se trata de ter acontecido ou não crime (o que por si só é um problema grave na Constituição, mas que não é o momento de discutir aqui). Mas sem base judicial a coisa fica feia, pois será visto em todo Brasil e lá fora como um ataque direto à democracia, como puro e simples golpe... Eu não diria que são poucos assim os insanos que pedem a volta dos militares, mas mesmo sendo a minoria, vc sai lado a lado deles em protesto meu caro! O que eu vomitaria!

Se se provar cabalmente que Lula e Dilma são corruptos, desviadores de dinheiro público e outros crimes (o que até agora é piada), eles devem pagar de acordo com a lei. Nosso país não permite agressões, tortura ou morte, esse é o sentido de se estar em um Estado de direito. Sendo assim, colocando-me no lugar deles, nada muda, pois um país não ditatorial aceita quem pensa diferente, pune apenas dentro do permitido legalmente e não fere/elimina a sua própria Constituição para que as pessoas tenham que fugir do território para sobreviver.

Ok, que bom que está provado que houve desvios, pois assim temos certeza que o PT não agiu para calar a PF. Não, meu caro, o Lula não é acusado de nada, alguém acusado se torna réu. O Lula, até o presente momento, é apenas um investigado, como qualquer um pode ser.

Erra novamente: pegue a conversa da Dilma com o Lula, desde o início, verá que a gravação começa antes de chamar o telefone do Lula, o que indica que o grampo dessa ligação estava na Dilma, não no Lula, o que configura um crime, ao qual o paladino da justiça de araque, Moro, deverá pagar. “Comprometedoras junto com as demais provas”, quais provas?! Aponte-as. Senão será apenas bate-boca, o que não faz qualquer sentido para continuar esse debate. Digo o mesmo, apesar de não ser válido para mim pelas razões que apresentei à exaustão, é só vc analisar sem paixão. Abraço.

MINHA RESPOSTA FINAL AO G.F.: 1- indícios, se é que são (o que eu discordo), não são provas. Mas o mais engraçado foi vc bancando a vidente: “Juntamente com outras gravações ainda não divulgadas serão provas sim de corrupção, formação de quadrilha, falsidade ideológica entre outras”. Me ajuda aí, meu caro! 2- Eu não disse apenas que as pedaladas aconteceram, disse entre parênteses “e acontece”, e sim, aconteceram depois da lei de responsabilidade fiscal também. Nota-se que vc não apenas desconhece Cuba, mas o que é crime eleitoral no seu próprio país também. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Um crime não implica em outro por si só. Dizer simplesmente que o “Moro não é partidário” não é argumento, demonstre porque não é o caso – para isso terá que explicar porque ele pediu uma condução coercitiva para quem nunca se negou a comparecer e porque ele soltou os áudios/grampos na imprensa fazendo papel de promotor (de promotor imbecil, diga-se de passagem), e ainda porque apenas soltou os áudios de petistas, tendo em vista o bando de corruptos de outros partidos delatados e mesmo condenados... Vc diz: “quanto à Dilma ter nomeado Lula para o livrar do Moro, isso está mais que provado”, é mesmo?! Aponte as provas (não, não basta ouvir as gravações. Não confunda novamente tal com indício, ok?). 3- Novamente, aponte uma dessas provas que vc diz estar “anexadas no processo”. 4- Sim. Qual argumento deles vc acha forte? Mais uma vez, qual a prova? 5- Vejo que vc não tem a menor ideia do que é prova judicial. Prova em termos jurídicos tem a conotação de algo cabal. Dizer que está “mais que provado” pelas suas alegações é motivo de riso. Acompanhe a jurisprudência em casos parecidos, tenho certeza que mudará de opinião da noite pro dia... Do item 5 vc pulou para o 7, mas muito bem, segue: fica provado (no sentido real, que vc infelizmente não sabe usar) que vc se quer está acompanhado os noticiários, dizer que a PF só pegou petista é da mais abissal ignorância. Contra fatos não há argumentos. Nem o pedirei para apontar o “tanto” que vc alega que o PGR “engavetou”, aponte um caso comprovadamente (mas enfim, vc não sabe o que é prova).

Mais uma vez, vc banca a vidente no final: não apenas incriminando o Lula de antemão (alguém, que friso, se quer é réu até o momento  como o próprio delegado da PF disse: "não há provas contra ele"), mas dizendo que ele vai fugir do país e de quebra falando indiretamente mal (“coirmãos”) do Maduro e do Fidel, que certamente vc também não tem a menor noção. Não vou comentar seus ataques para fazer chacota do Lula, até porque, apesar de calúnia e difamação serem crimes, o Lula não o processará, fique tranquilo.

Cuidado meu caro, Platão já dizia, não tem problema algum com quem não gosta de política, a não ser, ser comandado por que gosta muito. Eu me envolvo profundamente com política não por “gostar”, mas porque é indispensável, necessário para se viver de forma lúcida e crítica. Lamento meu caro, vote na próxima eleição (espero que continuemos tendo esse poder), pelo menos para poder se colocar com mais propriedade. Lembrando, eles não se “instalaram” lá, foram eleitos quatro vezes seguidas pelo povo desse país! Todavia, política não é só nas urnas, política se faz no dia-a-dia, nas ruas, nos debates, no que vamos reproduzir ou não, em todo e qualquer lugar que estivermos. Para que saiba, não me ofendi. Não peço desculpa pela minha forma talvez dura de dizer, é necessária. Abraço.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A IMPORTÂNCIA DE NÓS, OPOSITORES AO GOVERNO À ESQUERDA, IRMOS ÀS MANIFESTAÇÕES DE SEXTA (18/03/2016)

Não em favor do PT, que poderia ter feito muito mais pelos ideais de esquerda e não fez, mas em favor da democracia, contra o fascismo!

Vejo coxinhas vociferando como zumbis mediante grampos que, apesar do tom, não revelam nada de ilegal. Isso é muito perigoso, pois mostra como a razão não está mais nem perto dessa galera. O que por sua vez faz surgir oportunistas de direita de todos os cantos para inflamar esse pessoal, como, sem o menor pudor, o ensaio de juiz fez agora, empolgado após os analfabetos políticos o tomar como herói no domingo.

Vejo agressões gratuitas a quem pensa diferente, ou como vimos em vários casos, apenas por vestir vermelho. Ir às ruas agora, portanto, não é dizer que o PT nos representa, mas defender o direito de voz! É lutar contra uma justiça arbitrária, partidária, que claro, sempre cometeu abusos aos periféricos e pobres, mas essa é a chance de dizermos não a isso a nível internacional.

Pensei sim em não ir, até porque o PT também nos reprime, mas apesar dos pesares, para essa galera verde e amarela insana e para a grande mídia o PT representa a esquerda, por isso devemos nos unir, pois estamos em um momento que pode ter consequências gravíssimas. O pouco que o PT fez pelos pobres incomoda de forma indizível esse pessoal, a “corrupção” é só um pretexto (atacam só a corrupção do PT, como temos visto), afinal, eles já haviam naturalizado crianças morrendo de fome e se consideravam donos das poucas universidades que existiam. Imaginem como se portariam contra um governo realmente de esquerda, voltado para acabar de fato com as abissais desigualdades socioeconômicas desse país! Nossas divergências, que certamente nem mesmo considera o PT um partido de esquerda mais, não podem nos cegar assim.

#NãoVaiTerGolpe

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O mundo não tem sentido. E agora?

       “Desceu sobre nós a mais profunda e a mais mortal das secas dos séculos – a do conhecimento íntimo da vacuidade de todos os esforços e da vaidade de todos os propósitos”. (FERNANDO PESSOA. Livro do Barão de Teive – Educação do Estoico. Livro(s) do desassossego, § 7).

       O mundo não tem sentido sensível, e salvo para os místicos, aqueles que dizem ter contato direto com o sobrenatural (não os depreciando, respeito-os, só não tenho razões para crer como eles ou na literalidade dos relatos deles, mesmo sabendo que muitos são sinceros), o sensível é tudo o que temos. Não há como racionalmente fugir disso. O sentido fora do sensível é possível, mas como diz Albert Camus no livro O Mito de Sísifo, todo “sentido” que nos ultrapassa, isto é, que supostamente estaria fora do mundo vivido, é mera questão de fé, uma apelação, um “salto no vazio” – expressão de Kiekegaard, reconhecido filósofo citado pelo autor, outro a reconhecer da maneira mais profunda e sem volta a falta de sentido. O mistério que o mundo apresenta, a nossa ignorância e ao mesmo tempo a nossa bela capacidade de pensamento, que se reconhece ignorante, que soa muito aquém do fim miserável que constatamos, e o fato de todas as hipóteses metafísicas serem logicamente possíveis, não são capazes de nos dar qualquer sentido concreto. A possibilidade, a interrogação, não faz um sentido real.

       Se tudo é contingente (indico a leitura do A Náusea de Jean-Paul Sartre para vivenciar essa questão – a palavra é essa mesmo, vivenciar, pois o livro provoca esse sentimento), se não há razão visível para a existência individual e para a existência da humanidade – e ainda, no eterno repetir das coisas, dos problemas humanos, em nossa mais palpável fragilidade, isto é, podemos morrer a qualquer momento, como uma peça de teatro que pode terminar antes do fim, sem explicação, de repente, caindo no esquecimento com ou sem “tarefa cumprida” (se é que isso existe), como ilustra Heidegger em Ser e Tempo, movido pela magnífica obra de Tolstói, A Morte de Ivan Ilitch –, que diferença fará? Se isso ou aquilo conseguirmos, se isso ou aquilo formos ou não, o que importa ao fim e ao cabo?

       (Informo que esse não é um texto de discussão técnica, quem não tem contato com a filosofia pode continuar a leitura tranquilamente. Cito filósofos sim, pois estou sempre na companhia deles, são gigantes para nos ajudar a pensar, mas não se trata de citações que só iniciados podem compreender. O texto é para todos.).

       Recentemente fiquei sabendo que um amigo, Helder Skelter, como ele gostava de ser chamado, se matou (foto do texto em homenagem a ele). Triste. Lembro como se fosse ontem da nossa última conversa, sobre a desigualdade social e a “vida de aparências”. Ele havia sumido, não estávamos trombando nos lugares que a gente frequentava, ele não postava nada na internet, tentei ligar um dia e deu fora de área. Só fiquei sabendo muito tempo depois, quando encontrei com um dos nossos amigos em comum (que também não ficou sabendo na época). Ele publicou um texto no seu blog, “Se estou deprimido”, na ocasião eu apenas havia passado o olho, mas deu para notar que se tratava de uma fase muito ruim na vida dele; depois, relendo agora na íntegra, era literalmente uma carta de despedida. Ele começa o texto assim: “Hoje eu sou aquele inseto de carapaça pra baixo, agitando as pernas, perdido”. Eram muitos problemas e dificuldades, mas a falta de grana, no caso dele, foi determinante. Dinheiro aliviaria alguns males, faria ao menos esperar um pouco as coisas melhorarem, de forma que é sim mais uma perda para se colocar na conta desse sistema capitalista cruel e inútil (obviamente não estou falando que dinheiro é solução para nossos males – pelo contrário, prego o fim dele –, mas é um mal necessário para manter-se vivo enquanto existir esse sistema doentio; obviamente também não estou dizendo que quem tem grana não se mata). Se você leu o texto dele, percebe que era um grande crítico dos valores da sociedade atual; não tenho pretensão de resumir seu pensamento, até porque possivelmente ele acharia tal tarefa patética, mas o caso dele evidencia como é destrutivo esse caminho que estamos tomando enquanto humanidade, tirando tudo de quem já não tem mais nada. Legitimamos um modelo de vida esmagador fundamentado na ilusão. A vida tem preço em cifrões nesse modo insano de existir que estamos mergulhados.

       Quanto mais se vive, mais se percebe que os belos momentos são de fato raras rosas que nasceram sobre cinzas, quem diz o contrário mente, mente por ignorância, por falta de vivência, por incapacidade de abstração ou por necessidade. O que tem de indivíduos que se pararem um segundo se deprimem sem saber o que fazer é surreal, precisam de “viseira”, da aprovação constante do grupo, típico homo labore, sofre e causa sofrimento por onde passa. Pessoas que trazem paz genuína no olhar são tão escassas que sobressaltam da multidão, do caos... O mundo não é justo. Não há final feliz (sofrimentos indizíveis acontecem em séries; a leitura de Cândido de Voltaire é indispensável, no romance a crítica ao otimismo é sem igual). Crianças e jovens morrem em agonia, monstros vivem e morrem de velhice; há dor extrema, sofrimento inimaginável, tristeza e, sobretudo, pouca esperança para mesmo amenizar tais males durante a vida, quando acontece são paliativos; ainda que você viva cem anos em pleno envolvimento político (a verdade é que dificilmente viverá tanto se for tão ativo, pois provavelmente os opositores conservadores o matarão ou silenciarão antes), não verá muito fruto de suas lutas, se tiver sorte verá alguns, o que é muito bom, mas serão poucos, principalmente em vista do que sempre resta a alcançar. E se num futuro distante, devido às suas ações ideológicas e de outros que continuaram seu caminho depois, finalmente a humanidade aprender a viver em harmonia e justiça (o que seria louvável e muito bom, de forma que esse é um alvo a se manter para fins práticos), não será o “sentido” que daria razão de fato a isso tudo, a esse mundo contingente, que continuaria sendo dispensável; além disso, essa estabilidade pacífica deveria ser eterna, mas é quase total ficção pensar num mundo em que a humanidade não venha a findar com o tempo, e mesmo os robôs-supercomputadores que poderão guardar nossa cultura e história por mais tempo, que eventualmente poderiam “sobreviver” ao colapso do nosso sistema solar, não sobreviveriam ao colapso do Universo, o chamado Big Crunch, salvo uma tecnologia “divina” que teria de ser desenvolvida com o indizível poder de controlar esse processo inevitável em proporções impensáveis, controle sobre uma distância de mais de 13,7 bilhões de anos-luz, o que é mais que improvável, mas quase impossível por tudo o que nós conhecemos – só não dizemos ser impossível tendo em vista que não se pode afirmar cabalmente nada em relação ao futuro, só por isso permanece sendo uma hipótese. Em uma palavra, essa utópica tecnologia teria que ter simplesmente o poder de controlar o Universo. Nós, macacos burros que brincamos de ser “inteligentes”, já teríamos ido para o saco há muito tempo, fato. [Antes que alguém objete: sim, se trata de uma teoria, mas isso é tudo o que temos: teorias; na verdade não sabemos nada, estamos limitados à condição humana, aos fenômenos, isto é, acessamos a coisa conforme aparece e não a Coisa-em-si, como diria Kant. Não sabemos nem mesmo quem somos, se existe outros fora da minha mente, se o mundo exterior é ilusão, se existe o Eu (substancial), sintetizando, não temos qualquer ciência de fato. Isso tira ainda mais o chão, pois solapa as pseudo-verdades dadas pelos sentidos, descobre-se portanto que os sentidos são incapazes de nos dar qualquer conhecimento do que seja a realidade pura, de forma que a última pode ser qualquer coisa]. E mesmo assim, será que a eternidade da forma humana seria um sentido válido? Viver pela “eternidade do pensamento humano”, convenceria alguém? Segundo Homero, no livro A Ilíada, Aquiles foi para a guerra de Tróia sabendo que ele ia morrer, jovem, mas como consequência seu nome seria lembrado pela eternidade; depois, no livro A Odisséia, do mesmo autor, vemos Aquiles “arrependido” dizendo que é melhor ser qualquer um entre os vivos do que estar no Hades (mundo dos mortos). Falamos de Aquiles até hoje, três mil anos depois, se ele é mito ou não, aqui não vem ao caso. Mas, pelas razões apresentadas acima, é praticamente impossível que um dia a memória sobre Aquiles não desapareça. Já dizia até o escritor bíblico:Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois” (Eclesiastes 1: 11). E mesmo que não fosse o caso, será que vale a pena existir para ser uma memória? Encarar tudo o que encaramos para unicamente sermos lembrados? Uma coisa é fato: não estaremos vivos para apreciar essa fama.

       Que cenário apresento, não? Muitos já estão com os ataques infundados ad hominem na ponta da língua contra minha pessoa – que é apenas mais uma forma de fugir ao tema, afinal, ao dizer “esse sujeito deve ser muito infeliz”, e coisas do tipo, para não encarrar os argumentos, você está tentando transferir suas misérias, mascarar a sua frágil realidade, que na verdade é a realidade humana, lamento. Mas esse cenário fatalista apresentado aqui já fora constatado por muitos antes de mim, salvo uma coisa ou outra, de certa forma, posso dizer que apenas os reproduzo (corrente de pensamento conhecida como Niilismo).
       Talvez você ache que isso é devaneio de filósofo, mas seja sincero consigo mesmo e analise as coisas como elas são, observe os fatos, o frio apresentar do mundo, verá que não é o caso. Todos nós temos a capacidade de pensar, e como diz Camus, “começar a pensar é começar a ser minado” (CAMUS, A. O Mito de Sísifo. P. 24), basta mirar a questão – guardada as devidas proporções, é similar à escolha da pílula vermelha em Matrix. Se você leu até agora, se manteve os olhos no texto não obstante a opressão que ele pode eventualmente causar, quer saber mais sobre a questão derradeira, aquela palavra que sua mente pode até ter tentado esquivar ao implicar de alguma maneira a sua pessoa: o suicídio, o fim próprio deliberado. É crucial falar abertamente disso. (Relaxe, se você conhece o autor que vos escreve, não se preocupe, antecipo que não estou planejando matar-me, esse texto não se trata de uma carta de despedida ou qualquer coisa que a valha; assim, também espero que você não se mate ao problematizar o tema em questão – na verdade, concordo com Camus quando ele diz que o suicídio meramente filosófico é coisa rara –, e não digo isso prepotentemente achando que meu texto tem um pica poder, mas porque o tema não permite a indiferença, o tema sim é corrosivo, abalador por natureza; prova que você de uma forma ou outra já pensou sobre ele, só não quis desnudá-lo, normalmente é um assunto que não se discute de forma aberta, entre amigos, pois cessa com as risadas, constrange, entristece, fere. Quase sempre logo mudamos de assunto. Contudo, dizendo francamente, o efeito dessa análise pode ser mesmo inverso, principalmente se você se encontra em angústia, talvez o ajude a não por um “fim às suas dores”, mas o faça encontrar sua própria maneira autêntica de viver, a lá uma obra de arte (como diz Nietzsche), que não tem sentido, mas que é em si mesma, por si mesma, que vale a pena enquanto durar, sendo o melhor que puder a cada momento, com intensidade, independência, beleza própria e vontade de potência. Afinal, o presente é tudo o que temos.).

       Escrevi um artigo publicado na revista Contextura do Departamento de Filosofia da UFMG (Nº 7 - primeiro semestre de 2015) onde trabalho a questão do suicídio filosófico perante a falta de sentido – isto é, mediante apenas o absurdo do mundo, sem sofrimento físico ou emocional –, o ponto é se a vida vale a pena ser vivida mesmo sem sentido, a conclusão é que sim, intitulado: “Entre Sartre e Camus, se há falta de sentido, devo suicidar?” (Também tenho um vídeo/aula onde trabalho a mesma questão: CRESÇA 13: Morte, Absurdo e Suicídio). Mas não discuti propriamente sobre o suicídio quando o indivíduo tem o intuito de aliviar a dor. A verdade em relação ao último parece óbvia: se sofro intensamente, porque não me matar se não vejo sentido no mundo, a vida com dor vale a pena num mundo sem sentido? Vamos ser francos, resposta: não.
As circunstâncias da morte do Helder foi o “espanto”, como dizia Aristóteles, necessário para filosofar, triste fato que me fez voltar a trabalhar o tema. Pensei muito sobre as ideias que trocamos, livros e filosofias que discutimos, no pequeno tempo que trabalhamos juntos, nos eventos que encontramos, isso remetia a um mesmo ponto: tudo passa, tudo é efêmero e contingente... Se pararmos para pensar o mundo é dor, dor própria, dor alheia, enfim, o que no fundo aprendemos é somente ignorar a dor. Segundo um dos filósofos de mais tato para as coisas humanas, Michel de Montaigne, buscamos nos distrair, nos divertir com qualquer coisa, para não encararmos nossa condição miserável. Ao passar do tempo, vemos que acertadamente diz a cação de Vinícius de Moraes: “tristeza não tem fim, felicidade sim” – se a felicidade fosse algo comum, não daríamos o valor que damos para os momentos de tal. Vencer a dor completamente é algo que não está ao nosso alcance. Pois a própria finitude é dor, de tal forma que fingimos ser imortais, inconscientemente até, numa tentativa vã de não aceitar nossa realidade mais íntima, a morte, como diz Heidegger. Por exemplo, acostumamos com o findar das pessoas próximas porque é inevitável, todos morre, cedo ou tarde, mas não relacionamos isso intrinsecamente ao nosso próprio deixar de existir, que pode ser no próximo segundo, o mesmo vale para as doenças, para o envelhecimento, para a maldade humana, são dores que vamos ignorando “naturalmente”, criamos até falsas esperanças para não olhá-las nos olhos, para não saber que estão presentes a todo momento (não estou dizendo que a solução seja vivermos aflitos com medo da morte sempre, até porque isso seria paralisante, o ponto é apenas não tamparmos com a peneira essa nossa condição) – o budismo aborda muito bem essa questão: Sidarta Gautama, segundo a lenda, se abateu profundamente ao sair do palácio que o protegia, pois viu esses males de frente, de maneira nua e crua. A existência como um todo, sem as máscaras que colocamos, é consternadora.
       Uma ida ao cemitério, não para enterrar um ente querido, traz alguns sentimentos singulares: silêncio, tudo se resume a silêncio. Tumbas pomposas, outras só com um número em cima, outras nem com número (já nas periferias do cemitério), algumas delas bem pequenas. Covas antigas, novas. Indigentes ou tão bem identificados com menção honrosa, mensagem na lápide e fotos, todos silenciados, todos iguais, como diz o dito popular, “no mesmo buraco”. Jovens, velhos, homens, mulheres, todos como se nunca houvessem existido. O mundo continuando após suas breves existências (seja de um ou cem anos), e assim todos vão passando, ficando para trás, caindo no esquecimento. “Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes” (MACHADO DE ASSIS. Memórias Póstumas de Brás Cubas. § XXVII). Nomes e sobrenomes, datas de nascimento e morte, é isso, não são nada mais do que isso. Somos nós... Nietzsche fala de nossas ilusões, dessa fantasia de acharmos que somos mais, rebaixa o conhecimento e prepotência humana de forma genial: "Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem número de sistemas solares, havia uma vez um astro, em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’: mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve eternidades, em que ele não estava: quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Pois não há para aquele intelecto nenhuma missão mais vasta, que conduzisse além da vida humana. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele." (NIETZSCHE, F. Sobre verdade e mentira no sentido extra moral. §1).

       Talvez então o melhor seja morrer jovem, sem preocupação, depois de um dia agradável, prazeres, boa companhia, risos, festa, uma noite de amor. Toda ação gera algum tipo de consequência dolorosa (se não imediata, de forma direta ou indireta, tudo remete ao fim), porque então vivê-las? Cada escolha, uma renúncia; ganhos e perdas. “Viver é muito perigoso”, repete várias vezes o personagem Riobaldo do Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa. Tudo é como água, na tentativa de segurar, escapa de nossas mãos... Não sei se é nossa maldição ou benção, mas temos um instinto animal, que ruge, que quer viver, que quer ser (não é por acaso que vemos muitos dizendo que não se matam por falta de coragem). Agostinho diz que “a dor de ter perdido não supera a alegria de um dia ter possuído”, sem esses objetivos mesquinhos, fantasiosos e completamente sem sentido de “vencer na vida”, “cidadão modelo, férias na Europa, ter pistolão” (criticado pelo saudoso Renato Russo na música Química) e afins, característicos de quem não quer enxergar a realidade (onde ao fim tudo é vão), talvez seja isso que nos move, esses momentos de alegria que fazem os duros serem suportáveis. [Não estou dizendo que não devemos fazer planos (ou agir inconsequentemente), tais são inegavelmente válidos para a vida prática, para o bem estar em comunidade, o ponto é que não são capazes de dar o sentido em questão, sempre estaremos buscando um próximo alvo, e um próximo, e assim por diante]. Camus diz que são três coisas que o mantém vivendo no mundo absurdo: sua revolta, sua liberdade e sua paixão (mesmo sabendo que tais não são capazes de satisfazer qualquer sentido último); concordo com ele, acrescentaria as coisas simples da vida, até porque boa parte do estresse que temos é com bobagens e barreiras invisíveis criadas pela nossa própria mente para se amoldar ao olhar do outro – não que o outro não seja importante, ele só não pode ser um permanente entrave para tudo o que fizermos. Lembro agora do romance “A Culpa é das Estrelas” (alguns spoilers nas sentenças a seguir), ali é representado o sofrimento intenso, a dor da doença e da perda, mostra como o mundo é injusto, a morte prematura, jovens não podendo ser jovens. Mas mesmo assim os personagens vivem o tempo que têm da melhor forma possível, da maneira mais intensa, verdadeira, como eles dizem, de forma infinita, independente do “tamanho do seu infinito”. Quando vi eles dizendo isso me lembrei desta frase genial de Carlos Drummond de Andrade: “Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata”. Essa disposição talvez seja a busca mais legítima que devemos ter: viver intensamente cada momento. (Intenso aqui não é agitado, mas sim pleno, o simples parar para não fazer nada, respirar tranquilamente, olhar a paisagem, absorto ali, pode ter toda a intensidade do presente). Pois não se engane, sempre haverá “E agora José?” em nossas vidas.

       Sinceramente, salvo se um deus apareceu para você, ou algo similar para confirmar, e tenha lhe revelado a “Verdade” indubitavelmente, provando a existência da vida após a morte, dando-lhe detalhes dos destinos das almas, você não deve ter medo do que as religiões clássicas ou os textos “sagrados” dizem sobre o que acontece com aqueles que se suicidam (quase sempre os condena a torturas escabrosas). Não nego que as crenças religiosas alternativas que não vivem do medo e da ameaça possam ajudar seus fiéis, mas sem a iluminação sobrenatural são apenas estórias. Fé por fé não é virtude, é ingenuidade. Crer tão somente porque está escrito num livro antigo então, beira à insanidade; estar predisposto a crer em algo já determinado é muito perigoso, é terreno fértil para o “efeito placebo”. Vale ainda ressaltar sempre que poder ser o caso não significa ser de fato, o caso... A famosa aposta de Pascal (“você não tem nada a perder”) é furada não apenas porque se existe um deus ele pode ser qualquer um, isso também, mas, sobretudo porque o cristianismo demanda um modo de viver, que em suma é uma abdicação da vida. Porque apostar a única coisa que você tem em algo que é apenas “possível” como qualquer outra hipótese imaginável? Porque escolher uma? Ora, é evidente que sua escolha pode não ser a correta! Sempre é possível perder ao se fazer uma determinada escolha. Não devemos crer em algo sem fundamento. Como dito no começo do texto, possibilidade não faz sentido. O medo de existir um inferno e afins não é um motivo válido, é crueldade aos que sofrem: aguentar o sofrimento lancinante no corpo físico para não ser eventualmente punido depois, que horror! E a ideia de que sofrimento purifica a alma é pura metafísica, só o primeiro é um mal de fato, o que você passa hoje. Ademais, seria como aceitar servir um ditador que coloca uma arma na sua cabeça (poupando os que simplesmente o aceitam), só que se trata de uma escravidão em vida para evitar a punição que você não sabe se existe. A propósito, como disse o personagem Ivan Karamázov de Dostoiévski, se for necessário usar o sofrimento de uma criancinha para construir as bases “harmônicas” do paraíso, eu também passo meu ticket. Um (possível) Ser justo e de amor não agiria assim... A sua vida é aqui, agora. É tudo o que realmente sabemos que temos. O resto são apostas sem base (não tome experiências de terceiros para se justificar). É você que deve decidir, só você está e estará na sua pele. Desejo toda força a você, lute, persista, viva pelo que você acredita e ama, “tente outra vez” sim, como diz a bela canção do Raul Seixas, mas não se perturbe ainda mais com esses mitos se eventualmente não ver outra saída. Considere o que nos diz o filósofo do martelo: "a fé não remove montanhas, ao contrário, as coloca muitas vezes onde não tem". (NIETZSCHE, F. O Anticristo. LI). Claro, lembre-se que sempre há um novo dia, que as coisas mudam, que o tempo passa, mas só você pode de fato decidir se vale a pena continuar. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, sofrendo ou não, não estaremos aqui, a decisão é sua, não há porque acreditar que sua hora está escrita sem mais.

       Em tempo, a vida pode ser bela mesmo em meio às dificuldades. Não existe um padrão, a “obra de arte” é você que faz. Tomo como exemplo o famoso físico Stephen Hawking (recomendo o filme: “A Teoria de Tudo”, que conta de maneira fascinante a história dele), poucos de nós não desejariam a morte em sua pele, um jovem de vinte e poucos anos, cheio de planos e talento, se ver definhar em pouquíssimo tempo, com os piores prognósticos médicos e expectativa de vida de dois anos. Mesmo numa cadeira de rodas e sem poder falar, ele seguiu em frente, contrariou as expectativas, casou, teve filhos, concluiu sua tese e se tornou um dos maiores cientistas do nosso tempo, ativo e trabalhando até hoje. Mas você também pode seguir em frente mesmo sem grandes feitos e pensar como o personagem Brás Cubas de Machado de Assis, que nos escreve após a sua morte: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria” (MACHADO DE ASSIS. Memórias Póstumas de Brás Cubas. § CLX). Nessa escolha não cabe juízo de valores. Somos miseráveis inevitavelmente, mas isso não nos impede de viver. Por isso, reitero: só você pode “colocar na balança” e decidir, só você pode analisar e concluir se vale a pena, independente de padrões e modelos, a vida é sua. Não estou dizendo que não podemos nos espelhar em grandes homens (por exemplo, a persistência de Nelson Mandela pode certamente ser influência para muitos), afinal compartilhamos a “condição humana”, mas sim que não podemos ignorar a particularidade de cada um, o que faz com que todo ser seja único. Finalmente, em meio a sua própria reflexão, tomando seus conceitos, vivência, e exemplos para julgar, “você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais”. (WILLIAM SHAKESPEARE. O Menestrel). O seu limite pode ir além do que aparenta, como incentiva Shakespeare, é possível se surpreender, mas tenha a consciência livre para julgar, pois você é o melhor juiz da sua vida.