sábado, 28 de agosto de 2010

Ditatortura


De todas as dores,
a minha dor é a mais forte

De todos os sonhos,
os meus sonhos são os mais utópicos

De todos os cansaços,
o meu cansaço é o mais intenso

De todos os tempos,
o meu tempo é o mais longo

De tudo que conheço,
na verdade não conheço

De todos os sofrimentos,
meu sofrimento é o mais opressor

De todas as noites,
essa noite é a mais fria

De toda a solidão,
a minha solidão é companhia

De toda a escuridão,
a minha escuridão é a mais densa

De todas coisas que tenho,
as que não tenho, são mais presentes em mim.

11 comentários:

  1. Olha que sempre olhamos mais o nosso lado e achamos que nossa dor é maior que dos outros...talvez é nos mesmo que gostamos de nos torturar um pouco para nos fazer de vitimas, mais o mais importante é enxergar que dor ou problema não tem tamanho e não se mede ou compra-se aos outros...e primeiro temos que olhar pra nos mesmo e solucionar nossa propria dor e tirar disso conhecimento...adorei o texto viu,Parabens

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  2. sensacional seu texto!!!! adorei a forma de soneto, essa rima, essa mensagem profunda. eu tenho um tio que sempre fala da ditadura, de como as coisas eram mais complicadas na epoca dele, acho que me senti mais ou menos com essa opressao que todos falam, ao ler 'ditatortura', parabens!!!! e adorei o final, essa frase é muito forte, 'as coisas que nao tenho sao mais presentes em mim'

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  3. bela poesia um pouco gotica mas legal.crismacleiton

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  4. Existe uma frase sobre dor que achei que encaixa perfeitamente nesse contexto que é ``o que não me mata, fortalece``. A energia da dor pode ser grande e parece ser capaz de nos levar o fim de fato mas sempre seremos capazes de sobreviver disso e renascer mais forte. Faz parte da natureza humana é reagir é instintivo.

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  5. muito massa! melancólico, mas muito massa.

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  6. Amei o texto, como muitos outros do blog... Esse de fato me tocou!

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