segunda-feira, 6 de julho de 2026

Caímos cedo, mas de pé! #Brasil2026

Brasil perdeu. Dia triste. Depois que se perde, todo mundo critica e o que não falta é oportunista ressentido para meter o pau – vergonha alheia do Felipe Melo, nem parece que já esteve do outro lado, e afundou o Brasil em 2010, diga-se de passagem. Os erros existiram e foram perdidas oportunidades que não se podem perder em uma Copa do Mundo, como o pênalti e o lance em que Endrick esteve cara a cara com o goleiro. Mas o time jogou bem, criou chances claras, teve hombridade e não faltou garra! Importante também destacar que os números do jogo não refletem a realidade de pressão no jogo. As melhores chances foram do Brasil. A Noruega trocava passes e ficava com a posse de bola atrás, sem coragem para ameaçar o Brasil. Se o Brasil tivesse feito 1 a 0, a história seria outra, pois eles teriam que sair de trás para atacar. A estratégia do Ancelotti não foi ruim; não funcionou porque a bola não entrou. Foi eliminado por uma seleção sem tradição e teoricamente mais fraca, difícil aceitar, triste demais, mas esse é o futebol. Não podemos crucificar nossos jogadores, que foram valentes e guerreiros até o final – se tivesse havido mais cinco minutos após o segundo gol do Brasil, acho que a Noruega não iria conseguir resistir ao abafa. Muitos estão criticando o Neymar, por não ter feito mágica no jogo, essa é a verdade, pois ele fez com raça o que estava ao alcance; e muitos outros criticando o Ancelotti por ter colocado ele no jogo. Ambas críticas estão erradas. As escolhas teriam sido perfeitas se a bola tivesse entrado, simples assim. Futebol é de fato resultado e muito cruel às vezes, reservando um final feliz para poucos, que passaram por derrotas terríveis e o destino os fez dar a volta por cima, como foram os casos de Ronaldo Fenômeno, que após não ter sequer entrado em campo em 1994 e ter tido uma convulsão antes da final de 1998 e uma lesão terrível no final do ano seguinte (chegou a ouvir de um especialista médico que ele nunca mais jogaria futebol), conseguiu se recuperar e ser campeão em 2002, sendo artilheiro da Copa e fazendo os dois gols da final, que deram o pentacampeonato para o Brasil; e para Messi, que após quatro Copas, tendo perdido uma final em 2014, conseguiu finalmente ser campeão em 2022 – e mesmo nessa, talvez a mais disputada final de todos os tempos, o título quase escapou, depois de estar vencendo por 2 a 0 e a França, de Mbappé, empatar em 2 a 2, depois em 3 a 3, o goleiro da Argentina defender uma bola impossível no último minuto e ganhar nos pênaltis; lembro de uma tomada do rosto do Messi após o empate de 2 a 2 pela França, ele olhava para o céu, com o rosto tensamente franzido, como que não acreditando que mais uma vez o destino seria cruel com ele (já tinha dito depois da Copa de 2018 que aquele título parecia não ser para ele e quase desistiu). Deu certo para esses dois gênios, como em um filme clichê em que tudo dá certo no final, parecendo até ficção. Mas certamente isso é exceção. Ancelotti trouxe para a nossa seleção o que há muito não se via: alegria. Alegria do time e do povo, empolgação para acompanhar a seleção como nos velhos tempos. Deu esperanças novamente. Penso que a convocação final teria sido mais acertada com alguns nomes como o de Matheus Pereira e João Pedro, mas não foram e o time engrenou. Vini Jr. calou os críticos que diziam que ele não jogava bem pela seleção, se mostrando um dos nomes mais importantes na Copa de 2026, participando praticamente de todos os gols. Casemiro chamou a responsabilidade e foi o melhor em campo na difícil virada contra o Japão. Alisson, principalmente nesse último jogo, calou os críticos que diziam que ele não era um goleiro que poderíamos contar em horas difíceis. Penso que as lesões de Rodrygo, Estêvão, Militão, Wesley, Neymar, Raphinha e Paquetá prejudicaram enormemente, mas o Brasil seguiu. Quanto à convocação, ficou mais fácil levar o Neymar com as ausências de Rodrygo e Estêvão e Ancelotti foi inteligente nesse ponto, pois o grupo todo queria o Neymar, se ele não o levasse, perderia o grupo; os jogadores estariam o tempo todo pensando “poxa, o professor não levou o Neymar”. Ancelotti sabia disso e da força que o Neymar tinha para esse grupo; foi uma escolha acertada. [Novamente, não podemos esquecer que não teve como levar Rodrygo e Estêvão]. Outro ponto, Copa do Mundo pede jogadores experientes e o treinador, a meu ver, fez acertadamente isso, ao levar novamente Casemiro, Alisson, Marquinhos, Danilo (lateral) e outros. Não se pode jogar todo mundo na lata de lixo. Não descarto inclusive boa parte desses para a próxima. Nossos jogadores jogaram com honra e perderam por pouco. Ganhar uma Copa não é brincadeira, além de se preparar e jogar muito, é preciso sorte. Não temos mais um time de estrelas a dar inveja no mundo, mas é nossa camisa pentacampeã e nossos guerreiros. Temos grandes jogadores e Brasil é sempre Brasil. Que voltem mais fortes! Orgulho sim desse time que me fez novamente sonhar!